A profilaxia pós-exposição (PEP) é um recurso fundamental na prevenção do HIV e outras infecções após uma situação de risco.
Pouco conhecida pela população em geral, essa medida pode salvar vidas quando utilizada de forma correta e no tempo certo.
Composta por um tratamento medicamentoso, a PEP funciona como uma intervenção de emergência, especialmente útil em casos de exposição ocupacional (como acidentes com material biológico) e não ocupacional (como relações sexuais desprotegidas ou violência sexual).
Ao longo dos últimos anos, a PEP tem sido cada vez mais recomendada por autoridades em saúde pública, como o Ministério da Saúde do Brasil e a Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua eficácia comprovada na prevenção do HIV.
No entanto, para que o tratamento tenha o efeito esperado, é essencial que ele seja iniciado o quanto antes, preferencialmente nas primeiras duas horas após a exposição, e no máximo até 72 horas depois.
Neste artigo, vamos explicar o que é a PEP, quando ela é indicada, como funciona o tratamento, quais os efeitos colaterais possíveis e onde procurar atendimento. Acompanhe!
O que é a PEP e qual seu objetivo principal?
A PEP (Profilaxia Pós-Exposição) é um conjunto de medicamentos antirretrovirais utilizados por pessoas que foram expostas ao HIV de forma acidental ou não planejada.
O objetivo principal do tratamento é impedir que o vírus se estabeleça e se multiplique no organismo.
Essa profilaxia é uma medida emergencial e não deve ser confundida com a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), que é usada de forma contínua por pessoas que mantêm um risco recorrente de infecção.
A PEP é indicada exclusivamente para situações pontuais em que houve um alto risco de exposição ao HIV.
Quando a profilaxia pós-exposição é indicada?
A indicação da PEP depende do tipo de exposição e do risco de infecção. A recomendação é baseada em critérios clínicos, comportamentais e laboratoriais.
Confira abaixo os principais cenários em que a PEP é indicada:
1. Exposição sexual desprotegida
Pessoas que mantiveram relação sexual sem preservativo com parceiro de status sorológico desconhecido ou sabidamente HIV positivo podem recorrer à PEP. Isso inclui sexo anal, vaginal ou oral com risco aumentado.
2. Violência sexual
Sobreviventes de violência sexual devem receber atendimento imediato e têm indicação automática de PEP, especialmente se a agressão envolver múltiplos agressores, lesões genitais ou se o autor for soropositivo.
3. Acidentes ocupacionais
Profissionais de saúde que sofrem acidentes com agulhas, instrumentos perfurocortantes ou contato direto com fluidos contaminados (sangue, sêmen, secreções) têm indicação de PEP como medida preventiva.
4. Compartilhamento de seringas
Dependentes químicos que compartilham seringas ou materiais de uso intravenoso com outras pessoas também se encaixam nos critérios para uso da PEP.
Como funciona o tratamento com a PEP?
A PEP consiste em um esquema de medicamentos antirretrovirais que devem ser tomados diariamente durante 28 dias. O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, idealmente nas primeiras duas horas após a exposição, e obrigatoriamente dentro de 72 horas.
Os medicamentos utilizados são os mesmos que compõem o tratamento antirretroviral de pessoas que vivem com HIV, mas são prescritos em combinação específica para a prevenção. A combinação padrão geralmente inclui:
- Tenofovir;
- Lamivudina ou Emtricitabina;
- Dolutegravir.
A escolha do esquema pode variar de acordo com o protocolo vigente no país, a disponibilidade de medicamentos e o perfil clínico do paciente.
Adesão é fundamental
Para que a PEP seja eficaz, é imprescindível seguir corretamente a prescrição médica. A adesão ao tratamento envolve tomar todos os comprimidos nos horários indicados, não interromper a medicação sem orientação e comparecer às consultas de acompanhamento.
Efeitos colaterais mais comuns
Assim como qualquer medicamento, os antirretrovirais utilizados na PEP podem causar efeitos colaterais. Embora nem todos os pacientes os apresentem, é importante conhecer os sintomas mais relatados:
- Náuseas e vômitos;
- Diarreia;
- Dor de cabeça;
- Fadiga;
- Insônia.
Esses efeitos costumam ser leves e transitórios, melhorando com o tempo. Caso sejam intensos ou persistam, é necessário procurar o profissional de saúde responsável pelo acompanhamento para avaliar possíveis ajustes no tratamento.
Onde procurar a PEP gratuitamente?
No Brasil, a profilaxia pós-exposição (PEP) é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O acesso pode ser feito por meio de:
- Serviços de atendimento de urgência e emergência (UPAs e prontos-socorros);
- Serviços especializados em HIV/AIDS e ISTs;
- Hospitais com pronto-atendimento 24h;
- Centros de testagem e aconselhamento (CTA).
O ideal é procurar uma dessas unidades o quanto antes após a exposição. O profissional de saúde realizará a avaliação do risco, coleta de exames iniciais e prescrição do esquema adequado, além de orientar sobre o uso da medicação.
Acompanhamento e exames após a PEP
Durante e após o tratamento com a PEP, o paciente deve realizar exames para verificar se houve soroconversão, ou seja, se houve infecção pelo HIV mesmo com o uso da profilaxia. Os principais exames realizados são:
- Teste rápido ou sorológico para HIV (realizado no início e após 30, 60 e 90 dias);
- Teste para outras infecções sexualmente transmissíveis (sífilis, hepatites B e C);
- Hemograma completo e função renal (dependendo da medicação usada).
Além disso, é fundamental manter consultas de acompanhamento para avaliação clínica e orientação sobre práticas de prevenção contínuas.
A PEP substitui o uso de preservativos?
Não. A profilaxia pós-exposição não substitui o uso de preservativos, que continuam sendo a principal barreira de proteção contra o HIV e outras ISTs.
A PEP é uma medida emergencial e deve ser utilizada apenas em situações específicas, como falha do preservativo (rompimento) ou em casos de violência sexual.
A melhor estratégia de prevenção continua sendo a combinação de métodos, incluindo:
- Preservativo masculino ou feminino
- Testagem regular
- PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) para pessoas com risco contínuo
- Redução de parceiros sexuais eventuais
- Diálogo aberto com parceiros sobre ISTs
A importância da informação e do acesso rápido
A profilaxia pós-exposição é uma ferramenta poderosa de prevenção, mas sua eficácia depende de um fator essencial: o tempo. Quanto mais rápida for a ação após a exposição ao HIV, maiores as chances de evitar a infecção.
Por isso, disseminar informação sobre a existência e o funcionamento da PEP é tão importante quanto garantir o acesso gratuito e imediato ao tratamento.
Campanhas de conscientização, capacitação de profissionais de saúde e a ampliação dos serviços especializados são estratégias indispensáveis para aumentar o uso adequado da PEP e reduzir os índices de novas infecções pelo HIV no país.
Se você ou alguém próximo passou por uma situação de risco, não espere: procure atendimento médico imediatamente. A prevenção começa com o conhecimento e se concretiza com atitudes rápidas e responsáveis.
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