Quando falamos em infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), muitos pensam nas mais conhecidas, como sífilis, gonorreia e HIV. No entanto, há doenças menos divulgadas, mas com impacto significativo na saúde pública e na qualidade de vida dos pacientes. Uma delas é o linfogranuloma venéreo, uma IST que, se não for diagnosticada e tratada precocemente, pode gerar complicações sérias, inclusive incapacitantes.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são registrados mais de 129 milhões de casos de clamídia anualmente no mundo — sendo que o linfogranuloma venéreo (LGV) é uma variante agressiva dessa bactéria. No Brasil, os dados ainda são subnotificados, mas especialistas alertam para um crescimento, principalmente nas grandes capitais e entre populações mais expostas, como homens que fazem sexo com homens (HSH).
A maior incidência está na faixa etária de 20 a 40 anos, período de alta atividade sexual. O linfogranuloma venéreo não afeta apenas o paciente. As complicações físicas e emocionais podem gerar impactos na vida afetiva, nas relações interpessoais e até na produtividade, além de gerar estigma, ansiedade e inseguranças na vida sexual e social.
Por que e como o linfogranuloma venéreo se manifesta?
O linfogranuloma venéreo é causado por alguns sorotipos específicos da bactéria Chlamydia trachomatis (L1, L2 e L3), diferentes dos que causam a clamídia comum. A transmissão ocorre, principalmente, por meio de relações sexuais desprotegidas, incluindo sexo vaginal, anal e, com menor frequência, oral.
Após o contato com a bactéria, o LGV se desenvolve em três fases clínicas:
- Fase primária:
Ocorre de 3 a 30 dias após a infecção, com o surgimento de uma lesão pequena, indolor, tipo úlcera, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo do útero, reto ou boca). Essa lesão geralmente passa despercebida, pois cicatriza sozinha. - Fase secundária:
Caracteriza-se por inflamação dos gânglios linfáticos, principalmente na região inguinal ou perianal, formando nódulos dolorosos, que podem evoluir para abscessos e fístulas. Nos casos de transmissão anal, podem surgir sintomas como proctite, dor retal, sangramento e corrimento purulento. - Fase terciária:
Se não houver tratamento, pode evoluir para uma fase crônica, com fibrose, estenose (estreitamento) de órgãos genitais, reto ou uretra, além de comprometimento linfático, gerando elefantíase genital e infertilidade.
Principais exames diagnósticos e de rotina
O diagnóstico do linfogranuloma venéreo exige atenção, pois os sintomas podem ser confundidos com outras ISTs ou doenças inflamatórias intestinais. A seguir, os principais exames utilizados:
Exame físico e anamnese detalhada
O primeiro passo é uma avaliação clínica minuciosa, com análise dos sintomas, histórico sexual, surgimento de feridas, gânglios aumentados e sinais de inflamação no reto ou nos genitais.
Teste de biologia molecular – PCR para Chlamydia trachomatis
O exame de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) é considerado o método mais preciso para o diagnóstico. Ele detecta diretamente o material genético da bactéria, com alta sensibilidade. A coleta pode ser feita a partir de amostras de secreções uretrais, vaginais, retal ou de gânglios linfáticos puncionados.
Cultura para Chlamydia trachomatis
Menos utilizada na prática clínica pela dificuldade técnica, a cultura bacteriana permite o isolamento da bactéria. Apesar de mais específica, tem menor sensibilidade quando comparada ao PCR.
Sorologia para Chlamydia
A sorologia pesquisa anticorpos no sangue. É um exame complementar, que pode auxiliar na detecção de infecções em fases mais avançadas ou na investigação de casos onde o PCR não está disponível.
Exame de secreção anal e retossigmoidoscopia
Fundamentais nos casos de proctite, principalmente em pacientes que relatam prática de sexo anal. A retossigmoidoscopia permite visualizar lesões inflamatórias na mucosa retal, úlceras e áreas de sangramento.
PAAF de linfonodos (Punção aspirativa)
Nos casos com gânglios inflamados, a punção aspirativa dos linfonodos pode ser realizada para análise do conteúdo purulento e realização de PCR, cultura e outros testes.
Exames complementares de ISTs
É fundamental a realização de testes para sífilis, HIV, hepatites B e C, gonorreia e herpes, visto que a coinfecção é comum.
Tratamento do linfogranuloma venéreo
O tratamento do linfogranuloma venéreo é simples, altamente eficaz e baseado em antibióticos. O medicamento de escolha é a doxiciclina (100 mg, 2 vezes ao dia, por 21 dias). Em casos de contraindicação, pode-se utilizar azitromicina em dose única semanal, por 3 semanas, ou eritromicina.
O acompanhamento médico é fundamental para avaliar a regressão dos sintomas, principalmente dos gânglios inflamados. Nos casos mais graves, com formação de abscessos, pode ser necessário realizar drenagem cirúrgica.
Além do tratamento medicamentoso, é indispensável:
- Testar e tratar os parceiros sexuais dos últimos 60 dias;
- Evitar relações sexuais até a cura completa;
- Realizar acompanhamento para verificar possíveis complicações.
Convivendo com o diagnóstico e prevenindo novas infecções
Receber o diagnóstico de linfogranuloma venéreo pode gerar impactos emocionais, ansiedade e medo. É comum que os pacientes sintam vergonha, medo de julgamento e insegurança nas relações. Por isso, além do acompanhamento médico, é importante oferecer apoio psicológico, quando necessário.
A melhor estratégia continua sendo a prevenção, por meio de:
- Uso consistente de preservativos, incluindo em sexo oral e anal;
- Testagem regular para ISTs, especialmente para pessoas com vida sexual ativa e múltiplos parceiros;
- Acesso a informação clara e livre de preconceitos, reduzindo o estigma associado às ISTs.
O linfogranuloma venéreo é uma infecção sexualmente transmissível que, embora pouco falada, representa um problema crescente de saúde pública. A falta de informação e o desconhecimento dos sintomas contribuem para o diagnóstico tardio e o aumento de complicações.
Felizmente, é uma doença que tem cura e responde muito bem ao tratamento quando identificado precocemente. Por isso, é essencial que profissionais de saúde estejam atentos, que a população tenha acesso a informação de qualidade e que a testagem regular se torne parte dos cuidados de saúde sexual.
Cuidar da própria saúde é um ato de autocuidado, de amor-próprio e também de responsabilidade com os parceiros e com a sociedade. Falar sobre ISTs é quebrar tabus, promover saúde e garantir qualidade de vida.
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