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Retinoblastoma em crianças e adolescentes: diagnóstico e exames para o tratamento

Retinoblastoma em crianças e adolescentes: como identificar e exames para o tratamento
O retinoblastoma é um tipo raro de câncer ocular que afeta, principalmente, crianças com menos de 5 anos, embora também possa ocorrer em adolescentes.

O retinoblastoma é um tipo raro de câncer ocular que se origina na retina — a parte do olho responsável por captar a luz e formar as imagens que enxergamos. Por se desenvolver de maneira rápida e, muitas vezes, sem causar dor ou incômodo no início, o diagnóstico precoce é essencial para aumentar as chances de cura e preservar a visão da criança.

Embora represente apenas cerca de 3% dos casos de câncer infantil, o retinoblastoma merece atenção redobrada, pois pode ser hereditário ou surgir de forma isolada. Como se trata de uma condição grave, que pode comprometer não só a visão, mas também a vida da criança, é fundamental que pais, responsáveis e profissionais da saúde estejam atentos aos sinais de alerta.

Neste artigo, você vai descobrir como reconhecer os primeiros sintomas do retinoblastoma, entender quais exames são indicados para o diagnóstico e conhecer as principais abordagens de tratamento para garantir mais qualidade de vida aos pequenos pacientes.

O que é retinoblastoma e por que ocorre?

O retinoblastoma é um tumor maligno que se origina nas células da retina. Ele pode afetar um ou ambos os olhos e sua ocorrência está relacionada a mutações genéticas no gene RB1, responsável por regular o crescimento celular na retina.

Forma hereditária x forma esporádica

Existem dois tipos principais de retinoblastoma: o hereditário e o esporádico. Na forma hereditária, a mutação genética é transmitida de pais para filhos ou ocorre de forma espontânea ainda na fase embrionária.

Nesse caso, o risco de desenvolver tumores em ambos os olhos (bilateralidade) é maior, e outros tipos de câncer ao longo da vida também podem estar associados.

Já na forma esporádica, o retinoblastoma costuma afetar apenas um olho (unilateral) e não há histórico familiar da doença. Ambas as formas exigem acompanhamento oncológico e oftalmológico especializado.

Sinais e sintomas do retinoblastoma

O diagnóstico precoce é um dos principais fatores que influenciam positivamente o prognóstico do retinoblastoma. Conhecer os principais sintomas ajuda na detecção rápida e no encaminhamento para exames específicos.

Reflexo branco na pupila (leucocoria)

O sintoma mais característico do retinoblastoma é a leucocoria, um reflexo esbranquiçado na pupila que pode ser notado em fotos com flash ou sob luz intensa. Esse sinal é muitas vezes confundido com o “olho de gato” e deve ser investigado imediatamente.

Estrabismo

O estrabismo (desvio dos olhos) também é um indicativo comum da doença, pois o tumor pode afetar o alinhamento ocular e a percepção visual da criança.

Outros sinais de alerta

Além da leucocoria e do estrabismo, os pais devem estar atentos a sintomas como:

  • Perda da visão;
  • Vermelhidão persistente no olho;
  • Inchaço ao redor dos olhos;
  • Dor nos olhos (em estágios mais avançados);
  • Pupilas de tamanhos diferentes.

É importante lembrar que nem todo sintoma ocular é sinônimo de câncer, mas a investigação precoce é essencial para descartar doenças graves como o retinoblastoma.

Diagnóstico: exames essenciais para detectar o retinoblastoma

A confirmação do retinoblastoma exige uma avaliação oftalmológica minuciosa, com apoio de exames de imagem e testes genéticos.

O processo de diagnóstico visa identificar a presença do tumor, seu estágio e a possibilidade de envolvimento de outras estruturas oculares ou do sistema nervoso.

Exame do reflexo vermelho (teste do olhinho)

Realizado ainda na maternidade, o teste do olhinho é uma triagem simples, mas fundamental para detectar alterações na retina, como a leucocoria. Caso o reflexo vermelho esteja ausente ou alterado, é necessário encaminhar a criança para um oftalmologista.

Fundoscopia com dilatação da pupila

A fundoscopia é um exame clínico que permite visualizar o fundo do olho com maior clareza. Quando realizado com dilatação da pupila, o médico consegue observar diretamente o tumor na retina, seu tamanho e localização.

Ultrassonografia ocular

A ultrassonografia ocular é usada para detectar massas dentro do olho e avaliar a extensão do tumor. É um exame indolor e altamente eficaz, especialmente em casos onde a opacidade do olho impede uma visualização clara da retina.

Tomografia computadorizada e ressonância magnética

Em casos mais avançados, é necessário realizar tomografia computadorizada ou ressonância magnética para verificar se o tumor invadiu o nervo óptico ou se há metástase no sistema nervoso central.

Teste genético

O teste genético pode ser indicado para confirmar a presença da mutação no gene RB1, especialmente em casos bilaterais ou com histórico familiar.

Esse exame também é importante para orientar o acompanhamento dos irmãos e futuros filhos da criança diagnosticada.

Tratamentos disponíveis para o retinoblastoma

O tratamento do retinoblastoma depende do estágio do tumor, da presença de metástases e da saúde geral do paciente. O objetivo é preservar a vida da criança, manter a visão sempre que possível e evitar complicações.

Quimioterapia

A quimioterapia sistêmica é frequentemente usada como primeira linha de tratamento. Em alguns casos, opta-se por quimioterapia intra-arterial ou intravítrea, que age diretamente no tumor, reduzindo seus efeitos colaterais no organismo.

Terapias locais

Entre as terapias locais utilizadas para tratar tumores menores ou residuais, destacam-se:

  • Crioterapia (congelamento do tumor);
  • Fotocoagulação a laser (destruição das células tumorais);
  • Termoterapia (uso de calor para destruir as células cancerígenas).

Essas opções são menos invasivas e podem preservar a visão em muitos casos.

Radioterapia

A radioterapia é menos comum atualmente devido aos riscos de efeitos colaterais e desenvolvimento de outros tumores em crianças com retinoblastoma hereditário. No entanto, pode ser utilizada em situações específicas.

Enucleação (remoção do olho)

Nos casos em que o tumor está avançado e não há chance de preservar a visão, a enucleação (remoção do globo ocular) pode ser necessária. Após o procedimento, é possível adaptar uma prótese ocular estética.

Acompanhamento após o tratamento

Mesmo após o tratamento bem-sucedido, crianças e adolescentes diagnosticados com retinoblastoma devem ser acompanhados regularmente por uma equipe multidisciplinar.

O objetivo é monitorar possíveis recidivas, preservar a saúde do outro olho (em casos unilaterais) e avaliar o desenvolvimento da criança.

Cuidados genéticos e familiares

Nos casos hereditários, irmãos e outros parentes de primeiro grau devem realizar exames genéticos e oftalmológicos periódicos para verificar possíveis mutações e agir preventivamente.

Apoio psicológico e inclusão social

Além dos cuidados médicos, o suporte psicológico à criança e à família é essencial. O impacto emocional do diagnóstico, dos tratamentos invasivos e, em alguns casos, da perda da visão pode gerar sentimentos de medo, exclusão e baixa autoestima.

É importante também garantir que a criança tenha acesso à educação, reabilitação visual e inclusão nas atividades sociais e escolares.

Quanto antes for diagnosticado, maior a chance de cura

O retinoblastoma é um câncer raro, mas potencialmente grave, que exige atenção redobrada de pais, pediatras e oftalmologistas.

A identificação precoce dos sinais, como leucocoria e estrabismo, pode fazer toda a diferença no sucesso do tratamento e na preservação da visão da criança.

Com os exames adequados e o acompanhamento especializado, é possível alcançar altos índices de cura e permitir que crianças e adolescentes diagnosticados com retinoblastoma tenham uma vida plena e saudável.

Se você notar qualquer alteração nos olhos de uma criança, não hesite em buscar atendimento médico. A saúde ocular infantil merece cuidado e vigilância constante.


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